Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
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Desde a fundação desse site tenho hesitado em militar a causa animal, os motivos são os mais diversos possíveis e fazem de mim uma pessoa que eu odeio ser, faz também com que o projeto que tanto amo perca bastante o seu sentido. O Fast Food Cultural sempre foi e sempre será, cada vez mais, lugar de debate de direitos, humanos ou não. No entanto, a causa animal até esse ano de 2015 passou longe das páginas de um canal que se pretende plural, que veio, desde sua criação, para dar voz a quem não tem. Só nesse ano é que institui que o site, em seus mínimos detalhes, seria vegetariano; só esse ano é que escrevi, falando sobre a caça do leão Cecil, o primeiro post consistente sobre o assunto. Pois bem, antes disso, eu escrevi mais de 1.100 postagens. Sou responsável por quase a metade dos posts que vocês encontrarão aqui, mesmo assim, eu negligenciei algo que pra mim é tão importante.

Meu segundo post é fruto de insônia, é resultado de um compartilhamento que tive o desprazer de ver no final da noite de anteontem no Facebook. Nesse compartilhamento, duas imagens somadas competem em nível de importância. Numa delas, uma jovem violentamente decepada pelo ex-namorado, num exercício de machismo, arrecada um valor bem inferior aos componentes da outra foto, porcos. A vida de uma mulher vale menos que a de porcos, dizia uma das compartilhadoras.

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Qual o fundamento por trás de tal movimento? De tal protesto? Em que agregará ao movimento feminista a redução de uma outra causa? Sim, redução, por mais que o comentário da autora, ao lado das fotos, queira dizer o contrário, a frase principal do post não deixa dúvidas do que ela quis dizer. Chega ser engraçado falar em indignação seletiva quando tratamos de porcos, ou vacas, ou peixes, ou qualquer coisa que seja morta aos milhões todos os dias no mundo todo. Só porque uma causa não te privilegia ela não é importante? Só porque uma causa não te privilegia ela serve como mote para protesto? Cai por terra toda a máscara de luta por um mundo melhor. É quase como querer falar em sororidade e irmandade dentro do feminismo quando mulheres negras se ferram muito mais que mulheres brancas, é quase como não reconhecer que pode existir uma relação de poder entre uma mulher cis e uma mulher trans. As relações de poder estão por todos os lados, e em que ocasião temos mais poder do que qualquer outra senão quando tratamos dos animais que consumimos?

Faço outro questionamento: quem foi que instituiu que a vida de um porco tem menos valor que a vida de um de nós senão os mesmos mecanismos que diziam que a vida de um negro valia menos que a de um branco? E, torno a reforçar, por que uma causa anula a outra? Esses bacons, se assim preferem, passam toda sua curta vida de servidão enclausurados em cercados que, na maioria das vezes, não medem dois metros quadrados, comendo rações e tomando hormônios para gerarem mais carne, mais rápido e darem mais e mais crias. São usados a exaustão. Escravos do nosso prazer, fritos na panela, na chapa, na brasa, servos do nosso privilégio egoísta. Os porcos arrecadaram mais que a menina e em menos tempo e só o que eu consegui pensar foi “Que bom se as duas arrecadações tivessem alcançado seus objetivos”. Mas são porcos? Sim, porcos, são porcos. Tão importantes que o caminhão capotou, mais da metade deles morreu e o restante agonizava dentro da carroceria do veículo quando ativistas alcançaram o local, e só depois de três intermináveis horas conseguiram liberação para salvar o que restou. Mas não parou por aí: dos animais coletados vários morreram por ferimentos, sobraram vinte e dois resgatados, e quando já estavam a salvo foram novamente enfiados em um caminhão e arrastados de volta para o abatedouro. Ativistas se amarraram ao caminhão, trancaram o portão, e, felizmente, conseguiram os vinte e dois de volta.

O vídeo abaixo pode chocar em algumas de suas cenas:

Alguns momentos no novo lar dos sobreviventes (vídeo).Saiba mais sobre a realidade por trás dos produtos de origem animal aqui: www.questaoanimal.org

Posted by George Guimaraes on Quarta, 26 de agosto de 2015

 

Porcos, são porcos, que vão poder correr e viver livremente num santuário onde receberam um lar. A arrecadação obtida ajudará com medicamentos e alimentação dos bichos, mas eles não são gatos, nem cachorros, nem gente, são porcos. Ou seriam, como já disse, bacons? Não se preocupem, de onde veio esse caminhão virão vários outros, eles são mortos e mutilados em toneladas, não são contados em unidades, mas sim por peso. O churrasco do fim de semana está garantido, tchê. O bacon crocante no café da manhã com ares estadunidenses está te esperando, não se aflija. Mas o que será que os porcos diriam da sua revolta se pudessem falar? Porcos estão aqui para nos servir e não dialogar. Porcos não têm voz. É o destino deles: viver e morrer para nós, por nós. Precisa causa mais nobre do que essa?

Antes de encerrar, colocando abaixo as duas importantíssimas campanhas de arrecadação pra quem quiser ajudar, faço uma pergunta: quantas toneladas de porcos precisam morrer para suas vidas importarem tanto quanto a de um de nós? Reflitam, se engajem, e levantem todas as bandeiras possíveis, todavia sem tentar derrubar a bandeira alheia.

Para ajudar a Gisele:

Clique AQUI para doações através do sistema Vakinha;

Quem quiser ajudar a Gisele doando fraldas e lenços umedecidos, pode entrar em contato com a família da Gisele pelo celular de número: (51)9860-5508;

Para doações via conta bancária abaixo estão os dados bancários da mãe dela:

Nome: Janete Silva;
Banco: Bradesco 237;
AG: 1973;
C/C: 0038720-7;
CPF: 92130135072.

(Todos os dados acima foram retirados da matéria veiculada pelo jornal Diário Gaúcho).

Informação importante sobre o caso: Secretário de Saúde promete próteses para jovem que teve mãos decepadas.

Para tentar salvar os porquinhos que ainda correm risco de morte:

Clique AQUI para efetuar doações através do sistema Vakinha.

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