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Rumores dão conta de que ninguém menos que Robert Downey Jr. estará no terceiro filme do “Capitão Estados Unidos”, aka “Capitão América”, carinhosamente chamado de “bandeiroso”. O contrato já estaria fechado e a coisa toda gerou um reboliço pelas internets do mundo todo, os motivos para alguns são óbvios, para outros nem tanto. Você pode até pensar: “Tá, mas e aí, grandes bosta, é mais um filme dos ‘Vingadores’ só que sem alguns personagens”; não, amigos, não, o buraco nesse caso é muito mais embaixo e pode gerar a maior chuva de super-heróis em uma mesma tela que você já viu, e é, com certeza, a melhor resposta que a Marvel poderia dar aos recentes avanços da DC nas séries e nos cinemas. É tanto herói que eu nem sei se convém aplicar tudo isso agora e tenho minhas duvidas se eles vão mesmo caminhar nessa direção.

A treta:

“Guerra Civil” é um dos melhores arcos da casa das ideias nos quadrinhos, e é bem recente (talvez você ainda consiga efetuar o pedido das revistinhas em alguma livraria de maior porte); o arco é também um dos que melhor encaixa o nosso mundo real no mundo fictício dos super-heróis, haja vista que tudo tem seu início através de uma iniciativa governamental que quer transformar em lei o registro desses seres com poderes que vão além da imaginação dos pobres humanos “oprimidos”, e para isso todos eles devem tirar suas máscaras, se identificar.

O programa, que eu me lembre, não tem quase nenhum pró (se tiver), mas tem vários contra. Considerem aqui que eu não sou consumidor de quadrinhos, mas um curioso que lê tudo que encontra de informação sobre eles, e embora na época eu comprasse a série de presente pra alguém, eu realmente não a li na íntegra, todavia acompanhei o desenrolar do evento. Continuando: vendo nossa realidade atual, onde pessoas são massacradas por serem homossexuais, trans*, negras, mulheres, e por aí vai, eu consigo enxergar um paralelo absurdo entre essa realidade de diferenças e a realidade dos mutantes, e isso é intencional, logicamente (bem como o medo do governo de tratar essas causas como se deve).

De qualquer forma a iniciativa de registro do Estado é apoiada por um grupo, que é liderado pelo “Homem de Ferro”, e rejeitada por outro, que é liderado pelo “Capitão América” (entendeu onde entra o Downey Jr. no filme do “Capitão”?). E todos nós sabemos que quem vai contra as leis do estado se torna um fugitivo, e dentro disso entra a “nova polícia”, que é composta por esses heróis pró-registro comandados pelo “Tony Stark”. Os vilões se tornam até secundários, visto que existe uma briga generalizada e tudo acaba virando quase um cada um por si. E é muita gente, dentre heróis que muitos conhecem e outros que a maior parte, não consumidora de quadrinhos, nunca ouviu falar.

Os problema dos estúdios:

Dentre vários dos heróis que dão as caras durante a tal guerra, nós temos alguns que podem vir a ser um empecilho para a Disney/Marvel, por questões de “Nós vendemos parte dos nossos personagens pra outras empresas antes de virarmos uma gigante do cinema”. Talvez o que menos dê problema seja o “Homem-Aranha”, que é onipresente durante o arco; isso porque a Disney já acenou uma parceria com a Sony, detentora dos direitos do “teioso” no cinema, e esta respondeu com um largo sorriso.

O “Homem-Aranha” é importante não só para expansão desse arco, mas também para o crescimento dos filmes da Marvel como um todo, especialmente os filmes dos “Vingadores”. O acerto do “crossover” entre as duas empresas é bom para todos os lados e está quase certo, mas especialmente pra Sony é uma grande vantagem, já que os últimos filmes do “Aranha”, embora sejam bem melhores que os com o Tobey Maguire (minha opinião), renderam pouco dinheiro para produtos de um herói tão popular (falta injetar um gás).

A pedra no sapato da Marvel é, de verdade, a Fox, que é a pedra no sapato de muita gente (até dela mesma), em especial no sapato dos colecionadores aqui do Brasil que são tratados como lixo com produtos de baixíssima qualidade. Desabafos a parte: o estúdio detém direitos de dois grupos importantíssimos dentro da guerra, não só de heróis, mas também de vilões; temos os “X-Men” (onde o “Wolverine” logicamente é contra o registro e o “Xavier” é a favor), e o “Quarteto Fantástico” (em que os personagens são considerados principais em quase todo o “evento”, especialmente “Sr. Fantástico” e “Mulher Invisível”).

Eu realmente espero que esse seja um primeiro passo para um acerto sem precedentes entre estúdios, por um bem maior, que para eles é o dinheiro, mas que para nós é a felicidade extrema da nerdice. Ver a Marvel como um conjunto será lindo. Sendo que o segundo passo, se esse rumor de início da guerra for verdade, é a confirmação do acerto entre Marvel e Sony, já que eu duvido muito que vendo a galera ganhando grana a Fox não vá querer participar. Mas claro que esses tiros podem sair pela culatra e gerar uma “Guerra Civil” entre os estúdios, do tipo “Quem manda mais?”. É esperar pra ver.

SPOILER ALERT!

Siga em frente por sua conta e risco.

Os problemas da história:

Se você acessar o site do arco, que ainda está ativo, verá que tivemos heróis capturados, heróis perdoados, heróis hospitalizados, heróis assassinados… Então, jovenzinhos, aplicar isso nos cinemas pode ser um problema incomensurável, ainda mais se considerarmos a lista de heróis que são mostrados na história enorme que é “Guerra Civil”, e a não ser que eles suprimam heróis e vilões secundários, que seria uma opção ruim para “spin-offs” que possam surgir, vão ter que contratar uma caralhada de atores. E isso onera e muito a produção, e talvez por esse motivo o fator união dos estúdios seja uma boa opção.

Além disso, atores tem contratos que terminam, que são renovados, que são revistos, que são cancelados; até a importância que toma o ator, e o herói que o ator representa, pode ser um complicador financeiro para revisão de cotas de lucro da produção (e o Downey Jr. não costuma deixar isso barato, nem pra ele e nem para os companheiros). E aqui faço um paralelo com o que ocorre na série “The Walking Dead”, em que a história não pode seguir o mesmo rumo dos quadrinhos, haja vista que pessoas não são manipuláveis como desenhos, elas são instáveis, elas podem querer sair do projeto por N motivos e assim vai.

E mais: eu disse lá no início que heróis são assassinados, e alguns destes são bem importantes, estariam os estúdios dispostos a matar esses heróis em prol de toda uma revolução cinematográfica? Temos também o caso do “Homem de Ferro” que é tratado como traidor o tempo todo e no fim a coisa toda não é bem assim; o “ferroso”, de playboy/bom moço, rende bilhões, e “Guerra Civil” vai afetar não só os filmes conjuntos, mas também os filmes solo, em princípio começando por “Capitão América 3”, queimando o filme de vários heróis do alto escalão, isso é realmente conveniente? Será que funcionará tão bem no cinema como funcionou nos quadrinhos? Logico, depois vem a redenção, mas e até lá? Um tiro no escuro pode acertar ou não o alvo.

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