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Ontem tive um dialogo sobre o exército num grupo feminista que frequento no Facebook, o assunto girava em torno de homens que desmerecem o feminismo pautados na função do serviço militar “obrigatório”. Compartilhei com o pessoal que ali estava a minha experiência no exército, que nem de longe é obrigatório. O exército é uma instituição classista/elitista/homofóbica/ racista/machista, e muitas outras coisas, mas nem de perto é obrigatório. Sendo que aqui no Brasil é quase impossível uma mulher entrar nele, e isso não se deve a obrigação ou não, se deve a machismo mesmo, pois creia, existem muitas mulheres que querem servir e não conseguem (duas delas dialogavam comigo, inclusive). Não vou entrar em outras questões profundamente, como o classismo que faz pegar o pobre e livra a cara do “filho de alguém”, e a homofobia que pune “pederastia”. Eu estive lá, eu vi acontecer.

Vamos nos focar na questão da mulher no exército, e a retratação dessa situação no cinema: existe um abrandamento absurdo da situação, quando ela não é anulada. As mulheres além de não poderem servir, quando conseguem, são violentadas, destratadas, excluídas, limitadas… Além disso, elas geralmente conseguem apenas cargos na área da saúde, para tratar dos homens, dos cavalos e cachorros, sendo que no Brasil todos esses cargos são alcançados apenas através de concurso. Sistema meritocrático e hierárquico somados, ótimo, não? Fora que elas quase sempre trabalham sozinhas, como se fossem “alienígenas” dentro da corporação, “alienígenas” que, inclusive, também são maltratados por isso, já que esses estão ali pra roubar vagas de quem “realmente merece”. O exército é lugar de “hominho”, não de “mulherzinha”.

Maltratadas: não sei o porquê, mas os homens, especialmente de mais alta hierarquia, parecem detestar a existência das mulheres, e se os homens de patente mais baixa já são destratados, e torturados, as mulheres são guiadas como porcos no abatedouro, são cuspidas, são chutadas, são socadas, arrastadas, e são, com freqüência, estupradas, e conseqüentemente ameaçadas para que fiquem caladas. É difícil entender essa animalidade, essa ignorância, que é muitas vezes justificada com toda aquela ladainha de “instinto”. Não é instinto masculino, meu amigo, é doença mesmo, é psicopatia, é qualquer coisa menos instinto. Existe um cérebro desenvolvido dentro de seu crânio e, se for bem usado, ele jamais te guiará até esse caminho.

Dentro disso, o único filme que teve algum sucesso nesse sentido foi GI Jane, aka Até o Limite da Honra, e mesmo assim ele não vai além, ele mostra pouco dos podres, ele ameniza e muito a situação, pois se fosse levar em conta toda história, haveria ao menos umas duas cenas de estupro no decorrer da película, especialmente se considerarmos o local onde a personagem de Demi Moore servia. Mas preferiram dar muita enfase ao sofrimento de raspar o cabelo, porque, claro, é o tipo de coisa que faz mulher sofrer, como quebrar unha, mas estupro não, estupro é sempre culpa dela e ela gosta. Palhaçada. E aí fico pensando se esse filme, Camp X-Ray, irá além “do limite da honra”, ou ficará passando a mão na cabeça de opressor.

E mais: será que eles vão mostrar os podres que ocorrem/ocorreram em Guantánamo, será que além de expor a situação iminente de risco de uma mulher que serve o exército, eles vão ter, também, coragem de mostrar a quantidade de merdas que acontece/aconteceram por ali? Duvido que abordem qualquer uma das duas situações de forma fidedigna, duvido muito. Especialmente no que tange a violência sexual contra mulher e também a quantidade de “terroristas” que ali estavam/estão. Sofrimento gratuito, de um lado e de outro.

Abaixo o trailer do filme, que parece ser bom, mas possivelmente vá ficar aquela sensação de frustração, especialmente para as mulheres.

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