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Marion Cotillard está sendo atacada por fãs do casal BrAngelina por causa do seu suposto envolvimento com o ator durante o filme Aliados, que poderia ter causado a separação. A atriz francesa estaria grávida (já têm gente falando que é do Pitt e não do namorado dela). Primeira questão: vocês já imaginaram, na cabecinha monogâmica de vocês, que talvez as pessoas envolvidas não compartilhem do mesmo regime, e que essa não seja a causa da separação? Imagina que louco, né? Imagina se as pessoas transam com outras de boinhas e não pensam que amor acaba por causa de penetração? Admirável mundo novo.

E as pessoas se sentem donas do casal, foda-se a grávida, foda-se a intimidade, eu não sei nem limpar a minha bunda direito, mas vou lá atacar aquela pessoa! Invadir sua privacidade! Dane-se! Mas e se fossem monogâmicos: quem traiu Angelina e esse contrato de monogamia não foi Brad Pitt? Por que, se realmente foi o pivô, a pessoa que está sendo atacada é Marion Cotillard? Por que não Brad Pitt? História repetida, e a última culpada foi a própria Angelina.

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A responsabilidade sempre cai sobre a mulher e não sobre o homem, porque, segundo comparações feitas com o reino animal irracional, é normal o homem trair, é instintivo. Amores, não, nem pinguins imperiais traem. Vários outros animais não traem. E aqui, nesse caso, há um cérebro pensante (e polegares opositores); trai porque quer, e não por instinto; não é inerente, é consciente. É engraçado que pra tudo é o “topo da cadeia”, mas pra isso se rebaixa, se equipara.

O nome disso é machismo; Marion está sendo atacada porque ela é a destruidora da família perfeita, do casal modelo, do sonho encantado da Disney. É a bruxa com a maçã envenenada. Brad, em seu cavalo branco, cavalga no meio da multidão enquanto é aplaudido. Quem será sua nova princesa? Marion é queimada em praça pública, é odiada, é a mais feia dentro de um padrão de beleza pré-concebido, é menos talentosa (???)… Pitt reina soberano e sai pelo cantinho, com armadura e espada reluzente, nem se pronuncia, como não se pronunciou quando fez a mesmíssima coisa no passado (mas daquela vez não tinha várias filhas e filhos).

E, no meio disso tudo, ainda temos toda a questão psiquiátrica que envolve Angelina, e que, infelizmente, também se tornou pública. Mas eles são pessoas públicas, correm esse risco. Não, nós deveríamos nos limitar as suas carreiras artísticas, aos seus trabalhos, e não invadir suas doenças, seus relacionamentos, seus filhos, matá-los com flashes cegantes dentro de túneis escuros em perseguições, atacá-los na internet como se ela fosse terra de ninguém.

Por fim, antes mesmo dos papéis serem assinados, cogita-se a hipótese, também, da culpa ser da transição de Shiloh, e que Brad Pitt discordaria ser um menino trans, gerando um atrito com Angelina e colocando fim em seu relacionamento. Que docinho essa imprensa, que docinho essas pessoas, imaginem a carga que essa criança e futuro adolescente/adulto carregará pro resto da vida sendo o possível causador da ruptura da união de seus pais. Não se mede nenhuma consequência em busca de notícias. E se Shiloh vier a se tornar o novo Macaulay Culkin, destruído por pais e imprensa no meio do caos que está se criando? Mais notícias! Mais desgraças! Viva! Shiloh, ou o nome que vier a escolher, drogado, dono de banda, chapado pelas ruas de Hollywood, tapando o rosto alvo de paparazzos ávidos por fotos que virão a saciar a nossa sanha pela vida de outrem.

E se Marion estiver grávida, estando na fase de risco antes do terceiro mês, e perder essa criança, quem pagará? E imagine se Angelina resolve se matar sendo instável como é, a culpa cairá no colo de quem? Estamos ficando doentes. Vivemos num mundo onde blogueiros perseguem pessoas até destruírem seus sonhos e se acham os donos da Espada Justiceira. Egoísmo puro e cego. Nós precisamos, primeiro, começar a olhar pra nós mesmos, cuidar de nós mesmos, e cair na real de que o mundo é diverso demais para sairmos por aí devassando vidas que podem não estar na mesma caixinha que as nossas. Nós não somos polícia do alheio, fiscais da verdade absoluta e universal. É preciso medir quando essa nossa suposta nobreza passa a ser uma obstinação invejosa e babaca. E, em geral, aqueles que posam como perfeitos para fotografia acabam por ser os mais podres quando acaba a sessão. O “espelho, espelho meu” trinca e se cala.

Revisão gramatical e de conteúdo: Mariana Rost.

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