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Enquanto os poderosos do cinema guerreiam uma guerra perdida contra a Netflix, a empresa entra de cabeça nas produções independentes, além de suas sólidas parcerias com Disney, Marvel, Warner e DC. Beasts of No Nation, que trata de uma situação que é tão sensível a todos nós, mas muito esquecida por todos nós, será boicotado pelas quatro maiores redes de cinema do mundo, AMC, Carmike, Cinemark e Regal, pois seu lançamento será efetuado simultaneamente na Netflix mundial no dia 16 de outubro.

Não me espanta, de forma nenhuma, essa atitude, especialmente porque vivemos numa Terra onde sites de cinema que admirávamos escrevem textos dissertando sobre como o cinema não é para qualquer um, irrompendo num dos textos mais elitistas e discriminatórios do ano até aqui. Não vou citar o site, pois nem esse crédito ele merece. E o que é mais combativo, nessa mesma Terra, do que a Netflix que cobra valores ínfimos por seu conteúdo diverso? Pago R$19,90 por 30 dias de conteúdo que nem em sonho eu conseguiria pagar numa sala de cinema, e a qualidade dele só aumenta.

Entrada: Cinemas vs Netflix: lutar contra o futuro é suicídio

Hoje, graças ao sistema, brasileiros podem se ver na figura de Wagner Moura em Narcos; brasileiros puderam ver antes ali 2 Coelhos, um de seus blockbusters mais comentados no mundo inteiro e praticamente ignorado por aqui; mulheres trans, mulheres lésbicas, mulheres negras, mulheres negras e lésbicas, mulheres trans e lésbicas, gays, etc., viram sua representação aumentar absurdamente e atingir níveis de sucesso como nunca se viu em Sense8; a vida carcerária de mulheres, algo pouquíssimo abordado, se é que um dia foi, é uma das melhores séries da atualidade em Orange is The New Black, que além disso também tem lésbicas, negras, mexicanas; o cinema oriental, secundário ou terciário nos circuitos do mundo inteiro, tem inúmeros representantes sensacionais na grade da Netflix e será boicotado, também, em O Tigre e o Dragão 2; a política nunca teve uma retratação tão crua quanto em House of Cards e todos podem ver ali um pouco de como funciona a máquina suja que comanda uma nação; os fãs de herói encontraram ali a casa preferida para suas séries, tendo Demolidor como uma das produções mais aclamadas desde o boom desse tipo de conteúdo; crianças podem assistir a clássicos e novidades a qualquer momento, sem precisar esperar pela boa vontade de Fátimas da vida…

A Netflix é uma realidade que muito mais gente pode bancar, a Netflix é a empresa que melhor trata seus clientes no atendimento técnico, a Netflix oferece qualidade, na sua casa, e sem exigir demais do seu equipamento. A Neflix assusta. E, aqui no Brasil, acho muito bonito a Ancine dando tapas na cara da Veja por causa de uma matéria sensacionalista (mais uma), dizendo que a regulação de conteúdo e serviços de VOD existe em outros países e visa proteger os consumidores. Será que, aqui no Brasil, é só isso mesmo? O que é que essa entidade fez, até hoje, para o cinema brasileiro e seus consumidores? Fica a pergunta. Num mercado dominado pela empresa RGT, essa pergunta sempre existirá, e acredito que os artistas e produtores independentes irão concordar comigo.

É interessante notar que, apesar do crescimento constante da Netflix, as bilheterias do cinema no mundo inteiro só aumentam, inclusive a do cinema nacional. Cabe aqui outra pergunta: será que a luta é mesmo por causa da lei de 90 dias de exclusividade, ou será que é uma luta contra quem não pode bancar uma sessão de cinema? Duas situações que se misturam num ambiente liderado majoritariamente por homens brancos, ricos, cis e héteros. Faz tempo que não posso ficar torrando grana com telas grandes, e, se eu não posso, imagine pessoas que estão abaixo de mim nessa cadeia alimentar belíssima que é o capitalismo, o sistema que supostamente da possibilidade a todos. Beasts of No Nation, que será boicotado mundo afora, traz uma história ficcional do livro homônimo baseada em fatos reais de crianças que sequer, em sua grande maioria, atingem 18 anos, e que nunca poderiam ter o contato com a própria Netflix, no entanto aprendem a atirar e a matar. Uma história que deve ser assistida por todos nós assinantes do serviço a partir do dia 16 de outubro, ou em qualquer cinema que tenha dado uma chance para que ela fosse contada, pois ela precisa ser contada.

Acompanhamento: A caça de Cecil: morte do maior leão da África levará junto 24 filhotes

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