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Olá, meus bombons! Sabe o que começou recentemente? Sim, o fenômeno da televisão brasileira, o BBB. Com certeza, não vim falar sobre a qualidade do programa ou sobre o público que o assiste, não tenho nada a ver com isso. Quero falar com vocês sobre o affair que ganhou a internet nos últimos dias.

Sendo sincera com vocês, eu nem sabia direito que o BBB havia começado, tirando o fato que vi posts na timeline defendendo um dos Brothers que falou sobre uma esponja de louça no formato de um homem negro, como um boneco, cujo cabelo funcionava como a parte de esfregar. Então essa menina Cacau e esse menino Matheus se beijam. Meu feed vira um mar de posts fazendo uma compilação dos comentários gordofóbicos sobre a menina.

Na mesma semana em que um dos maiores ícones infantis, a Barbie, divulgou toda uma linha nova de bonecas focando na representação de meninas e mulheres mais reais ao redor do mundo, ainda nos deparamos com pessoas não conseguindo conceber a ideia de que um cara todo malhado pode querer ficar com uma menina que não tem o mesmo estilo ou corpo.

Comentários como “ele conseguia melhor” ou “nossa, mas ela é gorda” me deixaram bem chocada. Primeiro: como assim? Queria entender o que seria a classificação de melhor. Ela é uma mulher, que correspondeu aos desejos dele no mesmo momento e que também se sentiu atraída. No meu ponto de vista: WIN! Porque ninguém curte tomar um toco, né? Mas nãããããão, ela é gorda.

Por que eles não podem ficar juntos? Vou contar para vocês, bombons. Porque a visão do corpo gordo ainda está entranhada na mente da grande parte da população como uma representação de descontrole, desleixo com o corpo humano e coisas ainda piores. No caso, Cacau era o completo oposto do que Matheus representa: saúde, controle, beleza… E esse tipo de contraposição machuca o ego das pessoas. Vou explicar: outras pessoas que pensam estar “no mesmo nível” do que Matheus (nesse caso) representa, diminuem Cacau por ela não cumprir algumas das etapas que a sociedade impõe sobre ela.

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Em uma sociedade que ainda fica encantada pela história de Romeu e Julieta ou de Jack e Rose, do Titanic, é irônico uma “pegação” entre duas pessoas ser tão ultrajante. “Gosto muito dessas histórias porque o amor entre pessoas diferentes é mais forte”, “eles deveriam ser inimigos”, “ela podia ter escolhido o cara que deu o colar para ela, mas não, escolheu ficar com o Jack”… Vocês conseguem ver quão irônico isso é? O lance do amor só funciona se o cara for o Leonardo Di Caprio (que, por acaso fez um dos Romeus das tantas adaptações do romance shakespeariano e também interpretou Jack) e a menina for magra, alta, cabelo comprido, traços delicados, pele e cabelos lisos e sedosos? Mamãe bolinho vai contar uma coisa para vocês: a vida não é assim.

Até a Barbie (!!) viu que era necessário mudar os padrões, porque essa coisa de todo mundo igual não está com nada. Então, podem continuar se apaixonando pelos casais do cinema e da literatura, mas se policiem para ver se não estão virando o nariz e fazendo comentários horríveis sobre as personificações desses casais. Todo mundo gosta de amor, carinho, uns beijos e uns amassos. O mundo trepa, sabem? Inclusive as gordas e os gordos.

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