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Se tem uma série de filmes pela qual eu perdi o tesão, essa série é Velozes e Furiosos. Gastaram demais a receita a um ponto que, bem, tiveram que inovar e a velocidade ficou bem de lado (não aguento mais a cara do Vin Diesel). A cultura trazida do Japão para as telas de cinema, com carros rápidos e modificados, fazendo manobras ditas impossíveis para os desavisados, ficou reservada ao primeiro e terceiro filme (o terceiro, em especial, Tokyo Drift, que não tem os atores principais, é o que mais carrega essa cultura).

De lá pra cá, alguns filmes tentaram replicar a premissa de cultura automobilística, que nunca deixou de existir na história do cinema, a maioria fracassadamente. Mas é preciso observar que o trono de Velozes e Furiosos só permanece intocável porque se trata de um blockbuster recheado de atores e atrizes com grande apelo público, haja vista que tivemos sim pelo menos um projeto independente nesse ínterim que bate, de longe, qualquer um dos filmes da série em termos de roteiro, direção, fotografia, trilha sonora, atuação, figurino, edição de som, direção de dublês e CARROS, seu nome é Drive.

E Baby Driver surge no meio de um festival de cinema conceituado, assim como Drive surgiu, e pelas mãos de um dos mais promissores diretores e roteiristas que temos atualmente: Edgar Wright. O cara que a Marvel jogou no lixo ao demitir e desrespeitar as ideias para Homem Formiga. Aquele que trouxe três dos filmes mais legais que o cinema já produziu até hoje: Scott Pilgrim Contra o Mundo, Chumbo Grosso e Todo Mundo Quase Morto.

Junto desse cara temos dois jovens que vem numa crescente: Lily James e Ansel Elgort (o Baby do título). Além deles, temos uma lista de nomes absurda composta por: Kevin Spacey (que eu não preciso dizer quem é), Jamie Foxx (que também dispensa apresentações), Jon Bernthal (o fantástico ator em ascensão que é O Justiceiro das séries Marvel/Netflix aka Shane de The Walking Dead), Jon Hamm (o premiado Don Draper de Mad Men), além da cantora e atriz Sky Ferreira.

Me parece óbvio que com esse elenco e um investimento maior em divulgação o filme poderia alçar voos maiores, mas é óbvio, também, que isso não ocorrerá e ele ficará em circuito restrito, assim como Drive, que apesar de todos os elogios permaneceu apenas duas semanas nos cinemas aqui de Porto Alegre e em horários péssimos. Mas por que, então, tantos atores e atrizes procuram filmes de pouco alcance para atuar, geralmente ganhando pouquíssimo dinheiro em comparação com um arrasa quarteirões? Reconhecimento. Não do público, mas da crítica, algo que leva a premiações. E essas premiações levam a reconhecimento público também (e de investidores/investidoras/executivos/executivas/produtores/produtoras, claro).

Drive, na minha opinião, só não concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro por conservadorismo, dada a violência do filme, coisa que no Globo de Ouro, por exemplo, vem mudando, haja vista que esse ano tivemos como concorrente Deadpool (que injustamente não concorreu ao Oscar nem com melhor ator). Baby Driver é mais um filme para amantes da velocidade, da ação, da trilha sonora e, também, de um cinema muito bem conduzido. E não me levem a mal, eu gosto do cinema mal conduzido também, mas às vezes é gostoso ver a mesa bem posta pro jantar. Só às vezes. Em geral eu prefiro comer no sofá assistindo TV.

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