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O que vemos na televisão brasileira em relação às mulheres negras são vários estereótipos que normalmente estão ligados à emprega doméstica ou à escrava em novelas históricas. Não é indigno ser empregada: o problema está nestes papéis serem, via de regra, feitos por atrizes negras. E nós mulheres negras gostaríamos de contemplar personagens que representassem possibilidades de mobilidade social, cultural e educacional desde a realidade política de ações afirmativas e de resiliência.

Quando fiquei sabendo da série Sexo e as Negas, por exemplo (que teve como inspiração a série estadunidense Sex and the City), pensei que as quatro amigas seriam mulheres negras empoderadas desde uma emancipação social, ainda que tenhamos estatísticas desfavoráveis em relação à mulher branca. No entanto, foi o contrário: o escritor não teve qualquer preocupação com a hipersexualização histórica e sistemática conferida à mulher negra e reduziu as personagens a objetos sexuais. Criticar um Brasil colonial que colocou as mulheres negras à serviço da satisfação sexual dos senhores e dos seus filhos – que, por sinal, resultava em maus tratos e tortura das senhoras –, ninguém quer, não é mesmo?

Já na novela Babilônia houve uma personagem que provocou repensar nossa representação. A atriz Sheron Menezzes, que fez a personagem Paula, mostrou uma mulher negra que nasceu no morro da Babilônia, estudou Direito via cotas raciais e começou a trabalhar como estagiária em um escritório de advocacia de grande prestígio. Desse modo, conseguiu sair do morro e alugar um apartamento em um bairro de classe média. No entanto, o mais interessante é que a personagem nunca esquece sua origem e não tem vergonha de dizer de onde veio – sua fala sempre evoca muito orgulho e identificação com o lugar. Outro fato interessante é que, na novela, ela utiliza seu cabelo natural, sem alisamentos, bem como roupas, brincos, turbantes e colares que remetem à cultura africana (o texto segue após a foto).

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Sheron Menezzes, como Paula na novela Babilônia.

O que questiono é justamente porque não conseguimos ver na televisão brasileira mais personagens como a da atriz Sheron Menezzes. É importante para jovens e mulheres negras termos representações positivas, afinal, essas representações mudam a nossa autoestima, e, ao mesmo tempo, fazem com quem consigamos identificações afirmativas de nossa cultura, de nosso modo de vestir e, principalmente, de nossas lutas pela mobilidade social. É fato que ainda somos poucas mulheres negras que alcançam um sucesso profissional igual à personagem Paula da novela Babilônia, mas são relevantes como estímulo e motivação a partir da televisão brasileira.

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