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A modelo Andrej Pejić que, além de se descrever como um ser que vive entre gêneros (vide gender-fluid), se declara como sendo “ela” e não “ele”, foi a primeira escalada para o cast do filme baseado na história de “A Pequena Sereia”, que virá a ser dirigido por Sofia Coppola. Seu papel é descrito como “Sister nº4”, e poderia ter passado desapercebido não fosse por um detalhe: o Daily Mail fazendo uma chamada escrota para a notícia.

A página do jornal inicia a manchete  com “The Little Merman”, numa clara referência a algo que seria metade homem, metade peixe, fazendo um trocadilho preconceituoso ao relacioná-la com a pequena sereia. Mas como se não bastasse essa “piadinha” idiota, o jornal continua a matéria nomeando ela de “ele” em todas as oportunidades, sendo que bastaria uma leve pesquisa para que se desse conta da preferência da modelo. Além disso, outra coisa que pode ser percebida é o uso do termo “sibling”, que pode ser usado tanto para irmão, quanto para irmã, ao invés do termo “sister”, que só serve para irmã e seria o correto nesse caso. Transfobia é mato.

Imagine se ela fosse escalada para ser a pequena sereia, o mundo dos defensores da família viria abaixo, mas infelizmente não é o caso, o papel dela é além de secundário, o que é uma pena. Uma pena porque o mundo precisa mudar essa situação cada vez mais constante de subjugar nichos sociais. As mulheres sofrem com isso, os negros sofrem com isso, os homossexuais também, imagine as pessoas trans*, quantas você já viu atuando?

Em casos recentes, inclusive, tivemos homens no papel de pessoas trans*, nenhum deles era homossexual, o que já seria errado em termos (uma pessoa trans* não necessariamente é homossexual); sendo que Jared Leto, o mais polêmico caso, ainda levou uma premiação pelo seu papel, na época falamos sobre isso aqui. Depois tivemos o clipe da banda Arcade Fire com Andrew Garfield interpretando uma pessoa trans*, e como admirador do trabalho da banda sinceramente não entendi a escolha, haja vista que o ator tem posicionamentos controversos em diversos assuntos e é claramente machista.

É absurdo que num mundo vasto como o nosso não se considere pegar uma pessoa para interpretar um papel que tem ligação direta com o grupo ao qual ela pertence. Temos sempre que por homens interpretando tudo, até mesmo mulheres. E quando finalmente isso acontece (uma trans* interpretando uma trans*), mesmo que num papel quaternário, o preconceito é vomitado na cara dessas pessoas. E podem esperar que todas as perguntas dirigidas a ela, nas coletivas e cerimônias, girarão em torno disso, como já fazem com Laverne Cox de “Orange is The New Black”.

Se portam como se estivessem num zoológico assistindo animais enjaulados, que estão ali para o prazer doentio dos humanos idiotas. Apenas parem.

Abaixo mais uma foto dela para contemplação e reflexão. Belíssima.

andrej-pejic

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