Esse prato não sairia do forno sem o financiamento de: Tiago Pariz Almeida!
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Ontem eu conheci Anamanaguchi, ontem eu descobri que muito do que eu ouço pode ser definido como Chiptune, ou Bitpop (subgênero do Chiptune). Como já disse inúmeras vezes por aqui, sou um consumidor compulsivo de música que, apesar de em muitos momentos ficar estacionado em um estilo e/ou banda(s), vivo em busca de novas bandas, álbuns e estilos para ouvir. Minha saga de compulsão musical passou por downloads no Kazaa, Emule, Torrent (são por volta de 300Gb de música baixada), e por sistemas como Last.fm, Rdio e agora tudo que eu ouço vem do Spotify, e foi lá que conheci esses caras.

Já babei o ovo do Spotify aqui inúmeras vezes, o único sistema que conseguiu me fazer parar de piratear música, que me proporciona diversas funcionalidades que eu sempre busquei, de forma bastante descomplicada (embora eu ainda ache que muito precisa melhorar e ser acrescentado). E uma das grandes vantagens do sistema é o “Descobrir”, não só pelas dicas que ele me dá baseado no que eu já ouvi, mas porque as dicas do Spotify não se resumem ao que está no topo das paradas do sucesso. Como é que eu descobriria Anamanaguchi se não por ali, ou através de muita escavação internetica? Por isso eu repito: foda-se a Taylor Swift.

O nome:

Anamanaguchi é daquelas bandas que não vão sumir no meio da minha compulsão, muitas somem, pois não tem como cuidar das novidades de todas eternamente (outro ponto em que o Sotify me ajuda, basta seguir o perfil da banda para ficar a par das notícias), mas a música deles é tão única e demonstra um capricho tão grande que torna-se impossível que eles sejam obliterados da minha playlist mesmo sem esse auxílio. Tanto que já decorei o nome da banda, que não é nada fácil. Esse nome, Anamanaguchi, tem duas explicações: 1- surgiu num momento em que um antigo componente imitava o Jabba the Hutt, de Star Wars, ou 2- é um acrônimo formado por partes dos nomes de empresas de moda em que os componentes da banda trabalhavam enquanto estudavam tecnologia da música em Nova Iorque (Armani/Prada/Gucci), essa segunda, pra mim, faz mais sentido, haja vista que eles eram conhecidos como os “Armani-Prada-Gucci boys” pelos colegas.

O estilo:

Voltando o tal Chiptune: os nerds que entendem de moda usam um NES, aka Nintendinho, e um GameBoy neschiptune00na composição de suas músicas, e é disso que se trata o tal estilo de música. As bandas classificadas nesse nicho usam hardwares de videogames e computadores antigos em suas composições (devidamente hackeados/alterados), mas Anamanaguchi vai além, pois o característico barulhinho dos componentes 8bit/16bit é complementado por instrumentação comum a uma banda “normal”: guitarra, baixo e bateria, além de sintetizadores e computadores que somam ao trabalho.

Os trabalhos:

A caracterização marcante do som de Anamanaguchi reflete na capa de seus álbuns, que tem toda uma personalização que liga imagem ao som, e se o assunto é videogame, embora a maior inspiração da banda, segundo eles, sejam bandas de indie rock, um dos marcos na carreira dos caras é a trilha sonora do jogo Scott Pilgrim vs.anamanaguchidawncover The World: The Game. Nada faria tanto sentido como trilha de uma história que se baseia em videogames e acabou por virar um jogo. A banda foi contratada pela Ubisoft para criação da trilha que posteriormente foi vendida na Amazon e na iTunes, e esteve em 3º lugar, há época de seu lançamento, na Billboard Heatseekers (lar das novidades do mercado musical).

Mas foi o último álbum deles, Endless Fantasy, que me chamou a atenção. O projeto foi financiado por Kickstarter, gerando em menos de 11h um montante de 50 mil dólares, e recebendo um aporte até o final do período de 277.399 dólares, com mais de 7 mil financiadores (na época o mais bem sucedido projeto musical fundado através do sistema). Ele conta com 22 músicas que são um deleite para qualquer gamer, qualquer fã de música eletrônica, bem como fãs de indie rock, e/ou nerds em geral, elas valem cada segundo do tempo que são ouvidas e o álbum esteve no topo da Heatseekers em seu lançamento. A música que dá nome ao álbum, inclusive, levou o grupo ao programa Late Night, apresentado por Jimmy Fallon:

Pop It:

Em junho de 2014 eles lançaram a música Pop It, ela contava com uma novidade: uma vocalista, mas, apesar a novidade, a mocinha veio mascarada no projeto, seu rosto nunca era mostrado e ela vestia roupas bastante contextualizadas, como a da Sailor Moon que você pode ver no clipe abaixo e no gif ao lado. Mais tarde, em meeshnovembro, nome e rosto da menina foram revelados, ela era a cantora “Meesh彡☆” (aham, com a estrelinha e tudo mais).

Mais uma música de bastante sucesso, e assim como Jetpack Blues, Sunset Hues, do álbum Dawn Metropolis, que é usada nos podcasts do site The Nerdist, Pop It, além de aparecer na revista Entertainment Weekly, foi usada no comercial da loja de varejo Target (uma das maiores revendedoras de música em mídia física do mundo). Confira abaixo o comercial, os clipes das músicas Pop It e Endless Fantasy, e dê play no álbum se você tiver conta no Spotify! Não deixe de acessar o site deles que é um show a parte.

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