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É triste ver uma vida sendo destruída ao vivo, e nenhuma vida deveria valer mais do que a outra, nenhuma vida deveria valer menos que dinheiro entrando todos os dias na minha conta, ou na conta de qualquer outra pessoa que se julgue trabalhadora. Nada deveria valer mais do que uma vida. As “pessoas públicas”, inúmeras vezes, tem de lidar com gente que vai muito além da imprensa, ou da admiração, ou da industria que catapulta seus talentos, gente criminosa que não mede consequências, que não pensa que ali, naquela perseguição carregada de flashes, ou naquela droga oferecida diluída em um copo, existe um outro ser que também tem sentimentos, que também tem família, que também tem sonhos, que também sofre. Amy foi explorada até seu último suspiro, foi sugada até que não houvesse mais vida para ser extraída, e, assim como Michael Jackson, sucumbiu a uma fama que gerou inúmeras situações que beiravam o doentio.

A overdose dela é só o final de uma saga que poderia ter sido brilhante, linda e duradoura, mas foi brilhante, curta e sofrida. Creditar a morte dessa menina somente ao abuso de drogas é no mínimo hipocrisia e ignorância, Amy foi morta, inclusive por mim que, na época, ria da cara da cantora junkie que vivia atirada pelos cantos, sendo fotografada nas situações mais humilhantes possíveis, com direito a um site de “humor” onde pessoas como eu poderiam colocar uma possível data de morte da cantora, como num banco de apostas. Quanto tempo mais ela duraria? Quanto tempo nós fizemos ela durar?  Onde foi parar nossa sensibilidade, o amor ao próximo e o senso de coletividade? Em que vala foi atirado o nosso respeito?

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O talento das “pessoas públicas” é a única coisa que deveria ser considerada acessível à pessoas alheias a vida delas, essas pessoas não deveriam ser obrigadas a conviver com invasões de privacidade porque “ela escolheu essa vida”. Não, elas não escolheram isso, elas não escolheram ser chafurdadas por porcos, elas simplesmente tinham um talento que se tornou um trabalho, fora isso, fora o acesso que já temos a sua música, pintura, percussão, guitarra, esportividade, etc., não deveríamos ter direito de nos meter, de fazer de uma vida comum um inferno, nem nós, fãs, que consumimos essas notícias sensacionalistas invasivas, nem a imprensa, nem ninguém. Espero que Amy mostre o lado bonito da menina de voz poderosa e também o lado feio do meio em que ela se meteu. É bem provável que isso ocorra, especialmente se Kapadia e sua equipe seguirem o mesmo modelo adotado com Senna. Além disso, questiono mais uma vez: até quando vamos tratar depressão como bobagem (ou covardia, como um ignorante senhor proferiu na TV recentemente)?

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