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Um dia comum em que eu busco meu filho na escola…

– Pai, hoje, na escola, na hora do conto a professora contou uma história bem legal.

– Sério? Conta pra mim.

– Era a história de uma onça preta que era triste porque queria ser colorida como as outras onças.

– Verdade?  O que aconteceu?

– Daí tinha uma serpente que todas as onças pintadas tinham medo. Ela era uma cobra venenosa. E essa serpente se machucou e pediu ajuda. Ficou ali deitada no chão pedindo socorro mas  nenhuma onça quis ajudar porque elas achavam que era uma armadilha. Então a onça preta não teve medo e ajudou. Depois as duas ficaram amigas. A serpente e a onça preta andavam juntas. Um dia, a cobra picou a onça preta e foi embora. Todo mundo pensou que a onça preta ia morrer. Ela sentiu um pouco de dor e desmaiou.   Quando a onça preta acordou, ela percebeu que estava colorida também. Cheia de pintinhas e ficou igual as outras onças. Ela ficou muito feliz.

–  Legal essa história né? – Ele ficou pensativo olhando o trânsito pela janela do carro…

–  …

– Tu gostou da história?

–  …

– Tem muito tema para fazer hoje?

– Pai, na verdade eu não gostei que a onça ficou colorida.

– Porque não?

– Porque eu gosto mais de onça preta. Lembra do Pantera Negra da Marvel? Uma onça preta é muito mais legal que uma pintada. E ela nem tinha que ficar igual as outras onças… Porque os animais são diferentes. Eu não gostei dessa parte.

– My nigga… My nigga…

– O que é “ma niga”?

– Muito bem, ninguém tem que ser igual a ninguém. As pessoas são diferentes. Por fora e por dentro. Sempre pensa nas histórias que as pessoas  te contam. Às vezes as histórias são meio idiotas. Mas mesmo nas histórias idiotas a gente tem que prestar atenção e investigar porque a gente achou ela idiota. Igual ao Sherlock Holmes. Lembra?

– Sim, aquele filme do ator do Tony Stark. Ele sempre usava o cérebro pra perceber as armadilhas…

– Então, usa o cérebro…  Algumas histórias são cheias de armadilhas meu pequeno Holmes.

– Eu já sei, pai. Tu já me disse isso. Agora vamos fazer o jogo de adivinhação “adivinha quem é” só com os vilões da DC…

– Affff… to enjoado disso.

– Então me fala de um herói que eu não conheço ainda. E me conta como ele ficou poderoso…

– Conhece o Questão, um detetive sem rosto e um chapéu?

– Já vi esse… ele é da DC.

– Acho que esse tu ainda não conhece…

– Conheço sim, pai. Ele aparece na Liga da Justiça ás vezes.

– Putz.. hmmmm. Ok. Tu conhece a Corporação Infinito da DC?

– Corporação Infinito?

– Isso… peguei pesado né?

– Sim… me conta.

– Tenho outra idéia; vou te contar um outro conto já que tu não gostou do final do conto da tua escola…

– Tá bom.

– Tu sabe em quem o teu querido Stan Lee pensou quando ele criou o Charles Xavier e o Magneto?

– Não…

– Então, lembra que eu te contei uma vez que os brancos e os negros não podiam ser amigos e viviam separados?

– Lembro.

– Então, nos Estados Unidos, há algum tempo atrás os negros começaram uma batalha para serem tratados com igualdade. Por que eles não podiam fazer um monte de coisas. Os negros tinham que viver bem longe dos brancos e era proibido andar nos mesmos lugares que os brancos. Eles podiam ir presos. Igual aos mutantes dos X-Men. Eles não podiam ir no Shopping, no cinema, nas escolas boas.

– Eu não sabia disso. Mas hoje eles são amigos né pai?

– Sim. Olha ao redor. Hoje os negros e os brancos são amigos. Mas existe muita gente que ainda não gosta disso, só que eles nunca dizem. Eles fingem que gostam. Lá nos Estados Unidos, essa luta ficou muito violenta. Então surgiram dois líderes diferentes. Eles surgiram com duas idéias diferentes. Um deles era o Luther King, que dizia que os negros precisavam aprender a lutar pelos seus direitos mas conviver em paz com os brancos, e que nem todos eles eram inimigos. O outro, era Malcolm X. Ele dizia que os brancos eram inimigos e os negros deviam lutar até o fim e viver separados de quem os  fazia mal…

– É verdade, pai. Igualzinho ao Xavier e o Magneto.

– Então o Stan Lee gostou da idéia do “X” e deu aos mutantes… Porque eles também não são aceitos pelos  humanos. Assim como alguns brancos não aceitam que os negros possam ir aonde eles quiserem hoje. Tu ainda é criança, isso é muita informação pra tua cabecinha?

– Não, eu adoro ouvir histórias. Sempre que eu olho um filme eu presto atenção na história. Às vezes eu não entendo, mas daí eu pergunto. Pai…

– Fala…

– Qual tu gosta mais; do Xavier ou do Magneto?

– Não faz diferença qual que eu gosto. Mas faz diferença qual que você gosta…

– Eu gosto muito dos dois. Mas o Magneto às vezes faz umas coisas bem erradas.

– Você acha que os mutantes precisam ser iguais aos humanos?

– Não…

– Você acha que os negros precisam ser iguais aos brancos?

– Não né, pai… Eles não são iguais.

– Todo mundo diz por aí que as pessoas são iguais…

– Dã, eles são diferentes… (risadas fofas)

– E a onça preta do conto da tua escola,  o que tu diria pra ela?

– Que ela não precisava ser igual às outras…

– Legal, fim da hora do conto.

– Pai, um dia tu procura no Google a história do Stan Lee pra eu assistir?

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