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Então, já passou, já foi, já era. Eu imaginava que a seleção brasileira fosse perder e sinceramente acho que até foi longe demais, teve, inclusive, alguns momentos de muita sorte. E o culpado, por maioria de votos, é Luis Felipe Scolari, o homem que escolheu o time que ia jogar, mas não apenas isso, o homem que organizou taticamente o time, haja vista que essa seleção contava com alguns dos melhores jogadores do mundo e pela primeira vez em muito tempo existia um banco de reservas confiável (no geral).

Mas será que a culpa é realmente do Felipão? É e não é. E por tabela não é nem do jogador cone de 2014, aka Fred. A culpa é do futebol que vem sendo praticado nesse país há muito tempo, previsível e arcaico, e acho que até demorou para que descobrissem a formula e goleassem a seleção dessa forma. Defesa, chutão, falta de ligação do meio de campo com o ataque, falta de fundamentos básicos, falta de estratégia, em suma: falta de qualidade.

É até incrível que o mundial de 2002 tenha sido vencido por este país, mas naquele momento tínhamos jogadores em todos os setores que de fato conseguiam resolver a parada sozinhos (mas mesmo assim não eram fominhas como Neymar). Bastam 5 nomes: Marcos, Cafú, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo. Fim. Gol fechado, cruzamentos e avanços perfeitos nas laterais, distribuição perfeita de bola para o ataque e ataque fulminante.  Os outros jogadores precisavam apenas não fazer merda.

Só que ao contrário do Brasil, que está parado no tempo faz um século, o futebol de diversos países se aprimorou, caso de Alemanha e Holanda, por exemplo. E até mesmo países como Colômbia e Chile avançaram muito mais do que nós. O que define isso? Presunção, soberba, arrogância… Acharam que a fonte não secaria, que produziríamos gênios em todos os setores eternamente, caras como Romário que ganharam uma Copa quase que sozinhos. Mas isso não aconteceu, a fonte secou, e o que vimos ontem é a conta chegando com atraso e juros.

O esporte mais popular do mundo vive um estado de coma no país que mais o joga, o país que é conhecido por ele. O país que desde a década de 90 se transformou em vendedor de jogadores, a mina de ouro. E eu não vejo nenhum problema nisso, desde que a coisa toda seja administrada da forma adequada, mas se nem os jogadores enxergam isso, como proceder? Temos casos recentes gritantes como o de Keirrison, que foi revelado no Coritiba, fez mil e dois gols, passou pelo Palmeiras por menos de um semestre, fez mil e dois gols, e achou que chegaria no Barcelona, de Messi e Ronaldinho Gaúcho, para ser titular. Deslumbre. E um caso mais famoso: Alexandre Pato. Acho que não preciso explicar sobre esse.

O futebol brasileiro se perdeu, está falido, um ciclo de erros que culminou no que agora muitos dos “entendidos” passam a enxergar (e mesmo assim muitos culpam o Felipão). Não existe fundamento, as crianças não aprendem, os olheiros não querem aplicação, as escolinhas não querem ensinar, os técnicos não querem ajudar (eles são professores, ou não?), os empresários eu nem preciso dizer. Temos um futebol que não sabe chutar, temos um futebol que não sabe tocar, temos um futebol que não sabe cruzar, temos um futebol que não sabe, sequer, cobrar um lateral. As jogadas são sempre iguais. E o que se quer é uma plantação de Neymar, dedetizados com agrotóxicos, para que sejam vendidos o quanto antes e por uma caralhada de dinheiro.

E aí amigos, não interessava quem estivesse no comando, pois Felipão, Parreira, e qualquer um dos outros que temos disponíveis aqui, na Arábia, na China e no Japão, fariam a mesma merda, haja vista que são frutos desse mesmo ciclo ineficaz de futebol. Aqui não existe estratégia. E eu questiono: por que não temos técnicos brasileiros nos grandes centros de futebol europeu? Não precisa explicação, creio. E, você querendo ou não, o futebol europeu está anos luz a frente do que temos aqui. E quando não está, como era o caso da Alemanha, tudo é reiniciado, tudo é corrigido, e aí temos a potência que eles são hoje e não só como seleção nacional, pois pra mim o Bayern de Munique joga o melhor, mais consistente e mais técnico futebol da atualidade.

Se essa derrota de ontem não fizer o esporte como é jogado aqui ser repensado (desde as categorias de base), vamos ter que pensar em comprar, de fato, uma copa futura, e de preferência contratar um técnico estrangeiro para guiar o time, pode ser até um técnico argentino, chileno, colombiano, uruguaio, ou até mesmo um costa riquenho. Países que mereciam muito mais a disputa de terceiro lugar do que o nosso. Um futebol pífio derrotado como merecia.

Sobre os convocados: ele convocou os melhores jogadores brasileiros da atualidade, não houve erros, tirando um ou outro jogador, tipo Fred, Hulk e Jô (todos de ataque), mas quem convocar no lugar deles, jogando com essa “estratégia” de jogo brasileira, que fosse melhor? Pato, o cara que pula de galho em galho? Diego, reserva do Atlético de Madrid? Nilmar, que nunca mais se ouviu falar? Damião, que tem mais momentos de apagão do que de luz? Sério, quem? Mas eu quero um que seja muito melhor, não pouco melhor. Quero um Romário, um Rivaldo, um Ronaldo, um Evair… Um matador! Não tem.

E qual é o jogador mais importante da seleção e que quebrou toda essa “estratégia”? Neymar? Não, Thiago Silva. A falta dele, capitão e melhor zagueiro do mundo, o cara que organizava o time, foi o convite para a Oktoberfest que presenciamos.

Sobre o Felipão: a CBF o usou de escudo, por causa do título de 2002, por causa da sua popularidade, e porque eles sabem que o que é jogado aqui não é futebol moderno e com certeza a seleção foi mais longe do que eles esperavam. Felipão era o cara certo para peitar uma coletiva de eliminação que nem o atual presidente da CBF, José Maria Marin, nem o presidente anterior que ainda exerce seu poder nos bastidores, Ricardo Teixeira, teriam coragem para enfrentar. Felipão não será consumido pela população como um Mano Menezes seria.

Felipão era o cara certo, na hora certa e no lugar certo. E não o cara errado, na hora errada e no lugar errado, como alguns falaram. Ela era o único que poderia abraçar essa derrota. E essa sim era certa.

 

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